“Vendo filhotes de Raça”

“Vendo filhotes de Raça”

É só teclar “filhotes” no site de busca que os anúncios aparecem. Filhotes de todas as raças à venda aqui e acolá por preços salgados. As fotos que acompanham esses anúncios são das mais fofas. Cachorrinhos lindos e bem tratados só esperando pelo seu cartão de crédito… Mas antes de comprar um filhotinho fofo e peludo para chamar de seu, leia esta história.

 

Quem passasse pela casa, situada na região serrana do Rio de Janeiro, não poderia desconfiar de nada. O muro alto escondia muito bem o que por detrás dele acontecia. Nem mesmo latido se ouvia. E assim, escondido de olhares curiosos, os cães estavam à mercê da sorte.

Mas as denúncias começaram a chegar: umas falando de maus tratos, outras alertando para a quantidade de pedidos de enterro de cães que chegavam todo mês daquele endereço, e aí a denúncia dos cachorros enterrados vivos. Era grave.

A policia foi chamada. Quando chegaram, o portão da casa estava aberto. Foram recebidos por alguns vira-latas magros e mal tratados. Jogaram ração. Foi um frenesi, sinal de que não viam comida há tempos. Não demorou muito para entender que o buraco era bem mais embaixo.

Aos fundos, longe dos vizinhos ou de uma ocasional visita, havia o que parecia ser um canil – mas muito longe das condições aceitáveis para uma criação de cães. Eram cachorros de pequeno porte, separados entre machos e fêmeas, todos igualmente cobertos de sarna e feridas. Não dava nem pra tentar adivinhar a raça. Pele, ossos e feridas expostas.  Cobertos de sarna da cabeça às patas, os que ainda tinham algum pelo ostentavam só uns chumaços emaranhados. Fezes e sujeira no chão e nas paredes. Tudo ali cheirava mal. Nos dois sentidos.

O local havia funcionado como um canil sem registro. Sem controle, sem fiscalização, sem os devidos cuidados de um canil, a coisa foi indo por água abaixo. Para os cães, desobedecer era sinônimo de maus tratos. Alguns estavam com múltiplas fraturas e mal conseguiam se locomover. Ossadas de cães em todos os estágios de decomposição foram encontradas no terreno.

É difícil acreditar, mas desse local saíram muitos filhotinhos de yorkshire, poodle, shih-tzu e basset. Isso porque os filhotes, mesmo nascidos de pais doentes, com sarna e mal tratados, nasciam fofinhos e saudáveis e eram separados dos outros cães para que fossem vendidos.  Esses cachorrinhos eram chamados de ‘filé mignon”, e ficavam restritos a uma parte da casa que não dava acesso ao circo de horrores que acontecia nos fundos.

Mas como alguém poderia comprar um cão vindo de um lugar tão insalubre?  Seria como patrocinar um local desses! Pois lembra dos anúncios de cães fofinhos à venda na Internet? É assim mesmo que um canil clandestino opera. Quanta gente não compra assim? O vendedor vai até sua casa e lhe entrega aquela bolinha de pelos linda e cheirosa com um lacinho, e você sequer se pergunta de onde veio o bichano. Alguns canis clandestinos, como esse da história, separam os filhotes para que os compradores possam ir buscar. Mas é só perguntar sobre o pai e a mãe dos filhotes que vem um monte de conversa fiada.

Essa história foi vivida de pertinho pela Dani. Mas é apenas uma de centenas de histórias sobre canis clandestinos que aparecem nas mídias todos os anos em vários lugares do mundo. O mercado pet só cresce e, infelizmente, esse tipo de prática cresce junto.

A moral da história é a seguinte: canis clandestinos existem aos montes. São montados por pessoas interessadas no rápido lucro que uma ninhada de cães de raça pode dar. E existem canis sérios. Há uma série de documentos e autorizações para a venda de animais e, se você tiver interesse, entre no site que a gente lhe dá detalhes. Mas o que importa é entender que comprar um bichinho às cegas não é bom pra ninguém. Se você quiser mesmo um bichano de raça, visita o local onde ele nasceu. Informe-se e, ainda mais importante, conheça os pais do seu peludo! Agora, cá entre nós, adotar é sempre a melhor opção…

E o que aconteceu com os 45 cachorrinhos que foram achados? Ganharam lares temporários de voluntários que foram cuidadosamente selecionados. Foram medicados, vermifugados e muitos passaram por cirurgias por conta das inúmeras fraturas que apresentavam. Com muito carinho e paciência por parte dos cuidadores, os cães foram se livrando dos traumas e das doenças até se tornarem aptos para a adoção. Hoje estão felizes em seus lares adotivos. Quase um ano depois do resgate, estão lindos, peludos e saudáveis. É uma história de cinderela para os que sobreviveram, mas muitos não tiveram a mesma sorte.

E da próxima vez que alguém falar pra você que tá com vontade de comprar um cachorrinho porque viu um anúncio na internet, no Facebook, ou sei lá onde, conte essa história.

Por: Dani monteiro

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