CHERRY EYE

A protusão da glândula da terceira pálpebra, popularmente conhecida como cherry eye é uma doença rara nos felinos, mas frequente nos caninos. Acomete diversas raças, sendo beagles, lhasas, buldogues, cane corsos e sharpeis os mais predispostos. O artigo desta edição pretende explicar causas, consequências e opções de tratamento disponíveis para a enfermidade.

O que é o cherry eye?

 

 

O termo popular refere-se à condição deslocada e projetada exteriormente da glândula da terceira pálpebra. Antes de tudo, precisamos lembrar que cães e gatos possuem três pálpebras. A superior, onde estão os cílios nos cães (gatos não possuem cílios), é responsável pelo ato de piscar, funcionando como uma barreira de proteção contra agentes externos. A inferior dá suporte estrutural. E a terceira pálpebra, uma estrutura composta por tecido conjuntival, glandular e cartilaginoso, bastante maleável, localizada nos cantos mediais, funciona como um “rodo”, limpando e distribuindo adequadamente a lágrima pela superfície da córnea. Na última, está presente uma glândula produtora de cerca de ¾ da porção aquosa da lágrima, com estrutura arredondada e localizada na parte interna, mais exatamente ancorada ao assoalho da órbita. Quando essa glândula “sai”, aparece uma bolinha de tecido vermelho no canto do olho, mais frequente em pacientes jovens e no primeiro ano de vida, decorrente da fragilidade do tecido conjuntivo que a sustenta. Com a protusão, a glândula sofre isquemia (redução no fluxo sanguíneo) e pode perder parte ou toda a sua função, ficando sujeita ao atrito das pálpebras, o que provoca inflamação e conjuntivite.

Quais as causas da doença?

A fragilidade dos tecidos conjuntivais parece estar relacionada a uma condição hereditária, o que explica a maior probabilidade de pais que apresentaram o problema terem filhos afetados. A protusão também pode ocorrer após um evento traumático.

Quais os sintomas?

Massa ou tecido rosáceo no canto do olho próximo ao nariz, maior quantidade de secreção ocular, aspecto vermelho e inflamado e desconforto. O animal pode esfregar o olho afetado em objetos ou mesmo se coçar.

Qual o tratamento adequado?

Exclusivamente cirúrgico, com o objetivo de preservar e reposicionar a glândula. Técnicas cirúrgicas em que parte ou toda a glândula é removida são responsáveis pelo desenvolvimento de doenças da superfície corneana e pelo ressecamento do olho em cerca de 85% dos casos. Essas doenças levam à deposição de pigmentos na córnea (melanose) e à neovascularização compensatória, podendo, nos casos graves, provocar cegueira. Após a cirurgia, os pacientes precisam usar colírios de antibióticos e anti-inflamatórios por um curto período de tempo. Na maioria das vezes, também é necessário um colar de proteção nos primeiros dias. Mesmos nos casos em que a glândula se apresenta deslocada há muito tempo e o paciente apresenta sintomas de olho seco, observa-se melhora significativa na saúde da córnea após a cirurgia de reposição.

Converse com o clínico geral do seu pet, ele é a pessoa indicada para confirmar o problema e indicar um cirurgião de confiança, se for o caso.

 

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